Cruzeiro do Sul

Paulo de Andrade mostra sua visão do realismo fantástico em Piedade

Sorocaba, quinta-feira, 28 de setembro de 2000 

O artista plástico Paulo de Andrade inicia hoje na Estação Boca do Monte, na rodovia Sorocaba/Tapirai, a mostra "Realismo Fantástico" que reune 15 trabalhos realizados a partir de 1999. Os mesmos trabalhos já foram apresentados numa mostra em Gramado, paralela ao 24º Festival de Cinema Latino e Brasileiro, e na cidade natal do artista, Santa Maria, também no RIo Grande do Sul, em agosto passado.
 
A mostra é composta de 15 quadros em acrilico sobre tela, todos com dimensões de 1,2 metro por 1,6 metro, sem um tema comum. A mostra não representa uma ruptura da linha de trabalho de Paulo, que sempre trabalhou com este estilo. "Toda a minha vida trabalhei com pop-art e com ecologia, dentro do realismo fantástico", comenta. 
 
Pintor, escultor, designer, ilustrador e publicitário - que chegou a ganhar um prêmio Clio em 1981 - Paulo de Andrade nasceu em 1935, e foi introduzido no mundo das artes plásticas pelo lendário Aldo Locatelli. Formado em Belas Artes pela PUC/RS, em Porto Alegre, tornou-se ilustrador muito solicitado pelas agências de publicidade de São Paulo, bem como escultor e designer de diversos prêmios e troféus.
 
Entre suas criações nesta última área estão um mural para o Bradesco e uma escultura para a Lopes Consultoria de Imóveis, em 1974, e o troféu da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de 1978. Entre suas mostras, participou da "Brasil Comunication", em 1984, no Louvre, em Paris, e ainda tem obras no acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, e nos acervos dos cineastas Pal Gabor, na Hungria, e do cubano Tomás Gutierrez Alea.
 
Simbolismo e consciência 
 
"Não espero para ter inspiração", diz Paulo ao explicar como concebe seus quadros. Diz o artista que eles surgem de projeções do inconsciente, às vezes em sonhos, ou então em autênticas "visões". Foi de uma destas que surgiu a obra "Eu e a Águia", escolhida para compor a capa do folder da sua mostra em Santa Maria.
 
Como todas as obras da mostra, este quadro é de forte impacto, com a cabeça de uma águia envolta em um circulo de fogo domina um prado parcialmente ressequido. O próprio Paulo explica que esta imagem surgiu em sua mente quando passeava com amigos nas matas que cercam a Estação Boca do Monte.
 
Já outras obras da mostra, mostram que realismo fantástico não é antônimo de consciência ou crítica social. Como é o caso de quadros como "O Homoem em Busca de Deus" ou "O Dia Seguinte".
 
No primeiro, uma cruz é cercada por três dedos semi-crispados, sendo que o do centro está preso à cruz por dois cravos. Paulo de Andrade comenta que esta obra é de crítica religiosa, pois todas afirmam que estão em busca de Deus, mas seus fiéis matam-se entre si devido às diferenças religiosas.
 
Em "O Dia Seguinte", Paulo une o realismo fantástico à ecologia. O quadro mostra um peixe parcialmente desintegrado, do qual sobram apenas a cabeça, o rabo e as nadadeiras, e de cujo olho surge uma fonte que alimenta um oceano, tendo ao fundo as chaminés poluidoras.
 
A mostra deverá permanecer no ateliê da Estação Boca do Monte pelo período de um mês. Depois, segue para Porto Alegre. 
 
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